
Em oito de março, se comemora o dia internacional da mulher, mas poucos sabem que, esse dia é uma homenagem às mulheres que morreram oprimidas por dizerem o que pensavam; às mulheres que um dia lutaram por seus direitos e pelos direitos do povo; às mulheres que lutaram por um mundo mais livre e igualitário.
Desde sempre as mulheres estão em luta, principalmente a favor da classe operária, distribuindo panfletos e jornais, como em 1895 na Argentina, o da escritora italiana Ana María Mozón, que dizia “Queremos liberá-las da cobiça do patrão que as explora, da espreita do pároco que as enche a cabeça de superstições, da autoridade do marido que as maltrata...”, realizando marchas e protestos, como em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários, e o direito ao voto. Lembrando que a partir desse dia, instituiu-se o primeiro “Dia Internacional da Mulher”, em 28 de fevereiro.
Outro exemplo da luta feminina foi a de 1909 em Barcelona, na “Semana Trágica”, onde estas usaram armas e ocuparam fabricas, sendo, como sempre, violentamente reprimidas, ou mesmo durante a Guerra Civil Espanhola, onde o grupo “Mujeres Libres” lutou pela libertação feminina e por uma revolução anarquista, (1963 a 1939) onde mostraram que a luta contra a opressão feminina e o capitalismo, levariam a um único ponto, à liberdade!
Porém, a luta mais conhecida (e infelizmente, nem tanto) foi a da fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova Iorque, quando mulheres fizeram uma greve a favor de um acordo coletivo com a fábrica, exigindo melhorias diversas nas condições de trabalho, que foi recusado. Em 1911, ouve um incêndio na fabrica, pois não existiam extintores, e o nono andar só tinha duas saídas, uma já estava destruída pelas chamas e outra trancada, para que as funcionárias não roubassem materiais ou fizessem pausas (pois tinham que trabalhar 14 horas por dia, recebendo de 6 a 10 dólares por semana).
Nesta data, 146 mulheres morreram queimadas ou nas quedas (pois algumas pularam do prédio, tentando evitar a morte). A partir de então, o “Dia Internacional da Mulher” foi transferido para oito de Março.
Sabendo sobre todas essas lutas (que são poucas diante de tantas outras existentes), vendo milhares de mulheres que morreram lutando pelos seus ideais, você deve se perguntar: e hoje? Onde estão as feministas revolucionárias que lutavam pelos seus direitos? As anarquistas que lutavam pela igualdade e pela emancipação feminina?
E eu respondo: SIM, ELAS ESTÃO VIVAS! E continuam a lutar, mesmo com toda distorção da mídia, que rebaixa sua luta à “atos de vandalismo”, que rebaixa as próprias mulheres, como se elas fossem apenas “peitos e bundas”, que faz cada mulher sentir que é apenas um produto, um objeto de prazer, que tem que ser cada vez mais “bonita” (bonita na visão imposta pelo capitalismo), que tem que andar na moda, fazer plásticas, regimes, e assim, consumir cada vez mai$.
E estas mulheres, as que não se deixam alienar, que dão valor ao cérebro, não à bunda, estão vivas, é fato. E estão lutando, a favor da esquerda, a favor da libertação humana, desde mental a física, como no último dia 8 de março, onde elas se reuniram na avenida paulista e gritaram, “um dois três quatro cinco mil, lugar de imperialista é no cano do fuzil”, ou como no Rio Grande do Sul, onde no mesmo dia, as mulheres da Via Campesina ocuparam uma fazenda, ocupação que foi logo desfeita violentamente, e cerca de 250 crianças que estavam no acampamento foram separadas das mães e colocadas deitadas com as mãos na cabeça, sem contar as agricultoras que foram feridas.
Enfim, todos esses acontecimentos, deviam nos fazer perceber a importância da mulher em nossa sociedade, deviam nos fazer perceber que elas não são só corpos, são pessoas, seres humanos que também tem o direito de serem tratadas com respeito, o direito de escolher o que quer fazer com o próprio corpo, o direito de pensar e agir do modo que melhor lhe convém, o direito de sair na rua sem ter medo de ser estuprada, sem ter que ouvir “gostosa” quando passa, o direito de não apanhar do marido dentro da própria casa, de ser respeitada, e tratada como um ser que sente, não como um ser que produz filhos futuros operários e orgasmos masculinos.
Neste dia da mulher, lembre-se que nem todas são como a Carla Perez e a Xuxa. E lembre-se que, se você acha que elas devem estar no tanque, algumas delas estarão, no tanque de guerra, te fazendo engolir o lixo que sai da sua boca e a merda contida em seu cérebro.
“Vocês se assustam porque querem a submissão
tem medo da outra realidade
da minha vontade de ser tão forte quanto a sua
de eu sair da posição passiva destinada às mulheres
de eu não me reprimir ou simplesmente esperar.
Puta ou vagabunda é elogio
se significa desprendimento das suas regras idiotas
não, isso não é um jogo
isso sou eu realizando meus desejos mais simples!”
(xInfectx)

Nenhum comentário:
Postar um comentário